Páginas

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O Natal, o Casamento, A Existência de Deus e o Nada Absoluto

Manhã de Natal em NY. Como acordo muito cedo, antes de todos, sempre saio para caminhar pela cidade e pensar um pouco sobre questões que, em geral, só atormentam a mim. No caso específico, as querelas do filósofo Adolf Grunbaum contra a possibilidade de Deus ou do Nada. Mergulhando nessa encrenca por cerca de duas horas, retorno ao hotel com a cabeça fervendo de ideias e acordo minha esposa para expor minhas conjecturas. Durante um bom tempo despejo em seu ouvido questões sobre Espaço e Tempo, o Absolutismo de Newton, o Relativismo de Leibniz, a Relatividade de Einstein e a fórmula matemática de Leibniz para vencer a passagem do Nada ao Ser (1/2 = (1-1) + (1-1) + (1-1)...)
Descarrego coisas a cerca do princípio do universo, da explosão de energia e matéria que impedem uma noção de espaço e tempo anteriores à ela e, consequentemente, do próprio ato de pensar ou da existência de um criador ex-nihilo. Além disso, a opção da ciência pela teoria mais simples criaria um problema para o Demiurgo: sua existência exigiria uma manobra mais complicada do que um mundo criado por ele. E, por fim, a briga de Grunbaum contra a grande aceitação da Teoria do Nada. Uma Teoria que não tem características arbitrárias, uma vez que não postula Leis nem Entidades.
Minha esposa, cabeça privilegiada que entrou na UnB aos 16 anos e saiu formada em Matemática e Ciência da Computação, ouve tudo com absoluta atenção e, para dissolver todas as minhas angústias, repete sua grande máxima: como faremos para colocar todas as cosias que comprei, e ainda pretendo comprar, dentro das malas?
Sobre isso, confesso, eu não havia pensado! Não é por acaso que me juntei a ela. É o ser humano perfeito aos meus dramas metafísicos!

Nenhum comentário: